top of page

Extraordinário

     O livro conta um pouco da vida de August Pullman (Auggie), um garoto que possui a síndrome de Treacher-Collins, uma doença genética que causa, entre outros problemas, deformidade facial. Desde que nasceu, Auggie precisou passar por vários procedimentos médicos, tanto para melhorar sua qualidade de vida, ajudando a comer, a falar melhor e a diminuir a deformidade facial. Em decorrência de tantos procedimentos, o garoto não pôde frequentar a escola e estudava em casa, com auxílio de sua mãe. O ponto especial de nossa história começa quando, aos 10 anos, os pais de Auggie buscam uma escola próxima a eles no bairro, inscrevem o garoto para seleção sem ele saber e depois de alguns meses recebem a notícia de que o garoto foi aprovado!

     Ir para a escola pela primeira vez ou até mesmo mudar de escola, são coisas marcantes e desafiadoras na vida de todos, mas para August esse desafio pode ser triplo. Ele agora não tem mais um capacete de astronauta para se camuflar na multidão, tem 10 anos e nunca frequentou uma escola e tem um rosto bem diferente. Auggie vai conhecer pessoas legais em sua escola, mas também vai enfrentar intolerância e bullying.

     A inspiração para escrever esta obra veio quando a autora, R. J. Palacio estava em uma sorveteria com seus dois filhos pequenos e viu uma criança com a mesma síndrome genética que nosso extraordinário protagonista. Palacio então decidiu escrever sobre como enfrentar um mundo onde a intolerância é marcante e a aparência é mais marcante do que quem é a pessoa de fato.

     A organização do livro me chamou atenção por ser dividido em partes de acordo com o

ponto de vista de alguns personagens. Temos partes narradas por August, Olivia (Via), Summer, Jack, Justin e Miranda. Em minha opinião, tal organização foi genial! A leitura foi muito agradável e diversificada, além do próprio conteúdo da história trazer assuntos como respeito à diferença, a confusão interna que é o processo de crescer, bullying, amor, gentileza, enfim, tantas discussões e boas mensagens! Além de tudo isso, o livro também

nos guia empaticamente pela história. Pois ao ler cada parte do ponto de vista de diferentes personagens, nos colocamos no lugar deles. Em um momento até confesso ficar chateada com o Jack Will pelo episódio do Halloween, mas ao ler seu próprio capítulo pude compreender seu ponto de vista, tudo o que ele estava sentindo e como estava sendo difícil reagir a tantas coisas acontecendo a sua volta.

     Outro ponto da organização da obra de que gostei muito são os trechos de músicas e livros que estampam cada parte da história.

“Você é lindo, não importa o que digam/ Palavras não podem derrubá-lo/ Você é lindo de todas as formas/ Sim, palavras não podem derrubá-lo” – Christina Aguilera, ‘Beautiful’.

     Esse é um verso que estampa a Parte três, a parte de Summer, uma garota muito doce que nos demonstra uma lição sobre gentileza desde o primeiro dia de aula de Auggie. Summer senta com ele no horário de almoço e desde então nosso pequeno extraordinário tem alguém com quem contar nessa nova etapa de sua vida.

Temos também a irmã mais velha de August, Olivia ou Via, como é chamada pelas pessoas mais íntimas. Com a parte dela podemos compreender melhor como é crescer com alguém que age normalmente, mas por ter um rosto diferente, cada dia é uma batalha por conquistar seu espaço e respeito.

     Via aprendeu desde cedo a ser compreensiva e empática, seu capítulo já começa comparando sua vida ao universo: “August é o Sol. Eu, a mamãe e o papai giramos em volta dele. O restante de nossa família e de nossos amigos são asteroides e cometas flutuando ao redor dos planetas que orbitam o do Sol. O único corpo celestial que não gira em volta de August, o Sol, é Daisy, nossa cadela, e isso porque, para seus olhinhos caninos, o rosto do August não é muito diferente do rosto de qualquer outro ser humano. Para Daisy, todos os rostos são parecidos, chatos e pálidos como a Lua.” (Via, p. 89). O capítulo da Via, para mim, é especialmente marcante em relação a todos os outros personagens, porque é possível notar como a vida de August afeta sua própria família, como é ser uma jovem crescendo em meio a questões tão sérias desde cedo, vemos Via sendo madura e responsável com seu irmão desde pequena, vemos também sua fragilidade e problemas pessoais. No mais, fazendo relação com esse trecho acima, a Daisy é a cadela da família Pullman, ela leva muito amor e alegria a todos, é uma fofura que conquista a qualquer leitor ou novo personagem ligado à família.     

     Um novo personagem é introduzido no capítulo de Via, que é o caso de Justin, seu namorado. Quando Justin conhece seu irmão fica um tanto chocado com sua aparência: “... A Olivia tinha me falado sobre a ‘síndrome dele. Tinha até descrito como ele era. Mas também havia falado sobre todas as cirurgias pelas quais tinha passado ao longo dos anos, então meio que deduzi que ele teria uma aparência mais normal agora, como quando uma criança que nasce com lábio leporino faz cirurgia plástica e depois não dá nem

para notar, exceto pela pequena cicatriz acima da boca. Achei que o irmão dela teria algumas cicatrizes aqui e ali. Mas não esperava isso. Definitivamente, não esperava ver esse menininho com boné de beisebol que está sentado na minha frente bem agora.” (Justin, p. 193). Apesar desse impacto inicial, que é até compreensível, Justin permanece calmo e age gentilmente em todos os momentos, inclusive é bem bacana com o Jack Will, amigo de August, o ajudando com uns meninos bagunceiros que o estavam importunando na mercearia próxima ao ponto de ônibus. Além disso, Justin admira muito a união e o amor da família Pullman e nosso violinista nos mostra mais um ponto de vista a respeito da vida de Auggie, nos dando mais ferramentas para conhecer o mundo ao redor desse herói de apenas 10 anos.

     Já falei um pouco a respeito de Jack Will e para concluir o pensamento sobre esse personagem, apenas posso dizer que ele é um bom garoto, ele tem reações até normais e esperadas diante das situações, como disse, a história constantemente nos molda a ter uma postura empática, portanto, se coloquem no lugar dele durante a leitura, garanto que será muito interessante! Ele tem seus momentos de confusão interna que enriquecem a história e se mostra um bom exemplo de como nossas atitudes impulsivas podem ter consequências ruins, por isso, melhor ter muita atenção!

     A última personagem que tem uma perspectiva própria nessa obra é Miranda, amiga de Via e da família Pullman desde nova. Miranda tem conflitos pessoais quanto à família e sua própria identidade, apesar de se distanciar um tanto de Via posteriormente, ela continua próxima de Auggie pois se preocupa muito com ele, é uma relação bem bacana.

     Enfim, há vários outros personagens interessantes nessa trama e para conhece-los você precisa ler o livro. O professor Browne em especial me conquistou assim que apareceu. Afinal, como esquecer deste marcante trecho “Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil. ” (Sr. Browne, pág. 55) ?!

     ‘Extraordinário’ foi minha última leitura de 2017 e a primeira de 2018. Pude tanto terminar um ano quanto começar outro com uma leitura maravilhosa! Nela vemos um garoto com apenas 10 anos sendo um herói, alguém que nos inspira e nos dar várias lições ao longo de sua história. Recomendo fortemente essa leitura e espero ansiosa por ler os comentários sobre o que acharam da história! Mas enquanto isso, deixem comentários a respeito desta resenha. Até a próxima, galerinha. 

*Publicado em 15 de Janeiro de 2018.

Ana Lívia Sousa|Voltar

Faça parte da nossa lista de email. Fique atento.

Nunca perca uma atualização.

bottom of page